Dicas de como economizar custos

28 de janeiro de 2011

É comum lembrarmos mais das despesas que dos custos. Mas as despesas aparecem instantaneamente e os custos vêm no dia a dia

Reduzir custos é fundamental, inde­­­pendentemente do momento atual da empresa, dos autônomos ou mesmo do mercado. Mas como gastar pouco? Fomos procurar respostas com alguns especialistas, que nos deram dicas sobre os principais aspectos e truques que devem ser levados em consideração na hora de economizar. Nesta reportagem, o leitor poderá esclarecer as dúvidas mais comuns e, a partir delas, identifcar a maneira mais adequada para não sofrer com os custos no transporte.
Por exemplo, a tecnologia embarcada ajuda? O biodiesel compensa? Como preservar os pneus? Como dirigir economicamente? E a aerodinâmica de um caminhão, pode colaborar?
A regra número um para diminuir despesas é identificá-las e, em seguida, refletir quanto à necessidade de cada uma. “Os maiores gastos da nossa empresa são com combustível, manutenção e pneus”, identificou Ramon Alcaraz, diretor comercial da Fadel Transportes.
A fórmula para poupar tem sido uma questão constantemente discutida no universo do transporte rodoviário, principalmente no cenário de pós-crise econômica mundial.
Empresas e autônomos têm buscado diversas estratégias para fugir dos gastos obrigatórios, manter o ritmo de crescimento e aumentar a curta margem entre custo e lucro/benefício.
Essa necessidade de reduzir custos também tem sido considerada pelas fabricantes de caminhões, ônibus, pneus, lubrificantes e acessórios, que têm investido e buscado novas alternativas nesse sentido. No entanto, há muitos fatores envolvidos na redução de gastos, como o humano (forma de dirigir), o físico (veículo completo) e os naturais (condições climáticas, da pista etc.).
Criar uma estratégia ou plano de viagem como forma de poupar é importantíssimo, mas nem sempre é possível. “Não é toda hora que se pode escolher o caminho mais econômico”, diz Alcaraz. Às vezes, o curto prazo para a entrega da carga não permite planejar, sendo assim, a solução é reforçar os cuidados com outras alternativas de economia, como acessórios aerodinâmicos, calibragem correta dos pneus, tecnologias embarcadas e na forma de conduzir o veículo. “Para minimizar custos, apostamos muito em equipamentos eletrônicos, mas nada disso adianta se o motorista não souber evitar desperdícios”, afirma o diretor da Fadel.
De acordo com Alcaraz, é preciso escolher o caminhão correto, considerando sempre o peso da carga e o percurso. “Na Fadel Transportes já se tem definido o veículo certo para cada tipo de mercadoria: para cargas pequenas, é usado o VW 9.150; para médias o 17.180, e, para as pesadas o Volvo FH 440. Economizar é simplesmente buscar soluções de minimizar gastos desnecessários”.

Aerodinâmica: o defletor e a sua importância
É fácil perceber quando a aerodinâmica está sendo eficiente e vantajosa (contribuindo para a redução de combustível). Basta observar que, quando o veículo está em alta velocidade, a rotação do motor que deve se manter baixa. “A aerodinâmica é um dos fatores primordiais para o desempenho do caminhão”, afirma Eduardo Engel, engenheiro de vendas da Scania.
Segundo Engel, baseado em testes feitos em um simulador da fabricante sueca com túnel de vento, o defletor pode economizar de 5 a 7%. “A Scania possui dois tipos de defletores, um alto, com maior quantidade de regulagem, e um mais baixo”, diz.
O equipamento pode ser utilizado quando a altura do implemento é maior que a da cabine. A fabricante, no caso da Scania, dispõe de um gráfico que indica a posição correta em que ele deve ser instalado. “Qualquer concessionária da marca tem essa informação e a utiliza no momento da instalação do acessório”, garante o engenheiro. Mas é bom lembrarmos que isso só se aplica aos produtos originais de fábrica, sendo assim, não é possível afirmar o mesmo quanto ao mercado paralelo.
A aerodinâmica passa por uma série de fatores que a influenciam, como as condições climáticas, por exemplo. A altitude, a umidade relativa do ar e a direção dos ventos são situações que interferem positiva ou negativamente no rendimento do veículo.

O biodiesel (B5): vantagem ou desvantagem?
“Atualmente, quando passamos em um posto que anuncia vender biodiesel,
significa na realidade que comercializa a mistura diesel + biodiesel na proporção D95/B5”, diz Luso M. Ventura, diretor da Netz Automotiva e da SAE BRASIL (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade). A adição de 5% de biodiesel ao diesel puro tem causado dúvidas quanto à qualidade e consequências do seu uso. Na verdade o B5 por enquanto é indiferente ao consumidor. “As diferenças do diesel puro com a mistura, quando existem, são muito pequenas e devem passar despercebidas pelo usuário. Mesmo quanto ao preço, não houve alteração para o consumidor”, afirma Luso.
Especulações sobre possíveis perdas de potência do motor e aumento de consumo de
combustível foram desmentidaspor Luso Ventura. “O D95/B5 tem poder calorífico muito semelhante ao D100, portanto isso não pode ocorrer”, explicou. Para o futuro, estuda-se acrescentar 20% de biodiesel ao diesel puro (D80/B20), mas a indústria ainda tem pequenos receios em relação a isso. “Alguns resultados mostram que com misturas dessa ordem, ou maiores, pode haver degradação química do biodiesel, dependendo da qualidade e do tempo da estocagem, mas as pesquisas continuam”, declarou Luso.

Pneu: os erros mais cometidos e como corrigi-los
“O maior problema causador de desgaste de pneus é a calibragem incorreta ou a não calibragem. E olha que o ajuste é feito pelo caminhoneiro”, diz Cézar Maldonado, gerente de relacionamento com o consumidor da Continental.
Os pneus representam cerca de 10% dos custos no transporte – e a calibragem incorreta é a principal causa dos gastos desnecessários, que, no entanto, podem ser corrigidos. “A maioria das pessoas calibra os pneus apenas de duas a três vezes por ano”, revela Maldonado. Em segundo lugar entre as maiores despesas está a suspensão desregulada que, assim como a calibragem incorreta, causa desgaste irregular.

Dicas importantes, segundo a Continental, para aumentar a vida útil dos pneus:

1- Sempre calibrar com a pressão correta, levando-se em consideração a velocidade de tráfego, terreno, clima e, principalmente, a carga. A pressão deve ser controlada semanalmente e sempre a frio.
2- Além da perda de quilometragem, a sobrecarga também compromete a reforma do pneu, gera aumento do consumo de combustível e danos na estrutura.
3- O uso de lubrificante inadequado na montagem e o vazamento de óleo ou graxa pelo cubo da roda provocam a degeneração
da borracha do talão.
4- Má montagem/desmontagem,uso de ferramentas inadequadas ou superaquecimento ocisionam danos e até “lascamentos” na área do talão.

Modo de conduzir o veículo: as formais mais econômicas e seguras
As cobranças profissionais exigem cada vez mais do motorista, principalmente no quesito economia. É indicado que o operador aprenda as técnicas de economia e segurança com especialistas específico em cada tema. Por isso, a Transporte Mundial conversou com Tércio Fonseca e Elygerson Alvarez, respectivamente instrutor e coordenador técnico da Fabet-SP. Confira as dicas:

Quais os erros mais cometidos pelos motoristas?
Um dos principais erros é florear (repicar) a aceleração entre as mudanças de marchas. Além disso, os motoristas que têm o hábito de acelerar antes de desligar o veículo desperdiçam combustível e podem danificar o motor. Isso porque o combustível não queimado irá lavar o óleo das paredes do cilindro do motor. Quando ligar o caminhão novamente, anéis e pistão vão funcionar, por alguns instantes, sem lubrificação e desgastarão mais rápido.

Alguma técnica nas subidas?
Dimensionar a correta rotação do motor e o engrenamento de marcha compatível com a velocidade adequada, de acordo com o trajeto, ou seja, trabalhar dentro da faixa de torque do propulsor, com o acoplamento de velocidade do trem de força correspondente à carga exigida.

Banguela economiza?
Além de poder causar falhas acentuadas de lubrificação, provocando graves danos mecânicos ao câmbio, ao se aplicar a banguela a um veículo, seja alimentado por injeção eletrônica ou bomba injetora, o motor permanece em regime de marcha lenta, constituindo assim o funcionamento em débito mínimo de combustível, ocorrendo consumo. Em contrapartida, com o caminhão engrenado e o acelerador desaplicado, o débito de combustível é completamente nulo, não havendo consumo.

Há técnica de direção nos congestionamentos?
Não se deve iniciar o movimento bruscamente. Como o caminhão costuma movimentar cargas muito pesadas, o ideal é não acelerar com violência no momento do arranque.

Tecnologia embarcada: os investimentos e as novidades
A tecnologia embarcada ajuda a controlar de forma eficiente os custos do veículo, além de ser fundamental na segurança. “Sensores identificam quais as correções necessárias a serem feitas, como pressionar mais ou menos o pedal do acelerador, por exemplo”, diz Menoncin. As fabricantes de caminhões e ônibus têm buscado o desenvolvimento desse tipo de tecnologia, visando à segurança, à comodidade, à redução de custos e à atualização do motorista.

Outras dicas:
Vidros abertos – Trafegar com os vidros abertos nas rodovias altera a aerodinâmica e consequentemente o desempenho. Dica: Abra todos os vidros na mesma proporção, mantendo assim o equilíbrio da circulação de ar.
Vidros elétricos – Os vidros elétricos devem ser fechados um de cada vez, para evitar o desgaste da bateria. Dica: Feche os vidros elétricos do seu veículo com ele ainda em funcionamento.
Partida – Dê a partida de ignição do seu caminhão com o pedal da embreagem pressionado. Isso deixa o motor mais leve, economizando a bateria.
Regulagem do motor – O motor desregulado pode consumir até 60% a mais de combustível.  Dica: Esteja sempre atento à regulagem do propulsor, pois a manutenção preventiva é muito mais barata que a corretiva.
Mau hábito – Deixar o motor funcionando em marcha lenta por longos períodos, dirigir com o pé esquerdo apoiado na embreagem, descansar a mão em cima da alavanca do câmbio, e manter o motor em faixa de rotação inadequada são maus costumes que podem ser evitados.
Filtro de Ar – O filtro de ar obstruído perde as suas funções de proteção a sujeiras, além de impedir a entrada de ar no sistema de injeção eletrônica, gerando maior consumo de combustível.

Fonte: site Transporte Mundial