Empresas em prol do meio ambiente

28 de janeiro de 2011

Empresas reforçam o relacionamento com os seus transportadores para assegurar a qualidade no trajeto dos produtos e preservar o meio ambiente

A preocupação com a qualidade dos produtos e com a preservação do meio ambiente fez muitas empresas reprogramarem os seus planos industriais e a relação com os seus transportadores. A Dow, indústria química que hoje é uma referência mundial em atuação responsável e práticas sustentáveis no transporte de produtos químicos, segundo Douglas Araújo, líder de meio ambiente, saúde e segurança para a cadeia logística da companhia na América Latina, já definiu as suas novas estratégias. “Além de observar constantemente se as normas e os procedimentos estabelecidos globalmente pela empresa estão sendo aplicados pelos fornecedores de serviços de transporte e logística, a Dow do Brasil ainda criou o prêmio DowGOL, que tem o objetivo de reconhecer e incentivar a segurança nas operações de transporte e armazenagem”, afirmou Araújo.
O DowGOL, que teve a participação de mais de 30 empresas em sua oitava edição, realizada em 2009, já é um evento consolidado no setor, de acordo com Araújo. Esta iniciativa comemora o empenho de todos os colaboradores em atender às rígidas exigências de segurança. “Para estimular a melhoria contínua ao longo da cadeia, também reconhecemos os esforços dos fornecedores que vêm progredindo e se aprimorando para alcançar os índices de excelência impostos pela Dow”, disse Araújo.
As letras G, O e L do nome DowGOL, conforme explica Araújo, se referem ao lema “Guiando, Observando e Liderando”, que resumem o compromisso com o aprimoramento contínuo de pessoal, equipamentos, condições de trabalho das transportadoras, terminais e armazéns contratados pela embarcadora em todo o Brasil. O prêmio é dividido em quatro diferentes categorias: transportadores, armazéns, terminais marítimos e distribuidores.
Na fabricante de pneus Bridgestone, o acompanhamento das entregas e das coletas e a avaliação anual de performance são etapas essenciais para verificar se as transportadoras estão dentro do padrão de qualidade esperado. “Existe um procedimento de avaliação dos caminhões regido por políticas internas, que inclui verificação visual dos veículos e dos pneus. Além disso, há também uma grande preocupação com o meio ambiente”, explica Marcos Antonio Vicente, responsável pelo departamento de transportes da Bridgestone.
Segundo ele, assim que o caminhão entra na fábrica são realizados um teste de opacidade (para medir os níveis da emissão de fumaça preta do veículo) e uma análise técnica de todo o veículo. Se for comprovada a falta de condições de uso, há um prazo para a reparação dos erros. De acordo com Vicente, a Bridgestone não trabalha com caminhões do tipo Sider, que utilizam madeirite e, por isso, podem soltar farpas e contaminar o pneu.
A Bridgestone também exige um cuidado especial com relação ao transporte de produtos químicos (pigmentos, borracha natural e sintética, tecido, negro de fumo, entre outros). Ao todo, a companhia trabalha com 15 transportadoras, que lidam com 95% do frete. “A Bridgestone só atua com empresas certificadas, e, assim que o produto chega, é realizada uma avaliação técnica pelo departamento de qualidade”, esclarece Vicente. Diferentemente do Brasil, onde utiliza a terceirização, em outras fábricas no mundo a Bridgestone mantém as suas particularidades em relação aos serviços nesse segmento.
Por ter o seguro das cargas transportadas bancados por ela mesma, a Bridgestone decidiu, antes de iniciar qualquer serviço, pré-aprovar as transportadoras por meio de um gerenciador de riscos, que faz a visita in loco na empresa de transporte e envia os detalhes de toda a sua logística (roubos, acidentes, problemas no mercado, entre outros). “Com esses procedimentos, a empresa conseguiu reduzir o volume de perdas e de devoluções dos produtos e dos materiais”, afirma Vicente.
Na Dow, entre as ações promovidas para garantir a total segurança e a qualidade no transporte dos seus produtos está a qualificação dos transportadores. Isso quer dizer que toda companhia de transporte, antes de trabalhar para a Dow, precisa passar por um rígido processo de qualificação, incluindo a verificação de licenças, procedimentos e documentações. Na maioria dos casos, são usados processos estabelecidos no mercado, como o caso do Sassmaq (Sistema de Avaliação de Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Qualidade), criado em maio de 2001 pela Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), e do SHTC (Sistema de Homologación de Transportistas Carreteros), do Chile. Quando essas avaliações não existem no país, uma auditoria é feita pela própria Dow, para garantir que o transportador siga os padrões estabelecidos.
A empresa ainda verifica o número de acidentes e anota o percentual de rejeição de caminhões e dos motoristas treinados no Programa Olho Vivo na Estrada, entre outras medidas.
A Dow também realiza reuniões periódicas para avaliar como o transportador está progredindo em relação às metas estabelecidas. “Nestas ocasiões são estimadas tanto as metas operacionais como as de segurança, saúde e meio ambiente, o que possibilita ao transportador “corrigir o rumo”, caso algum item não esteja bem”, explica Araújo.
A Dow ainda promove, uma vez por ano, aos motoristas das suas transportadoras um workshop sobre temas que envolvam saúde e segurança. “Nesse evento temos a oportunidade de discutir sobre as metas de SSMA, debater casos de acidentes e estudar tendências. Também temos a oportunidade de escutar as preocupações e reclamações desses profissionais e buscar melhorar as condições de trabalho”, explicou Araújo.
Segundo ele, todas as prestadoras de serviço da Dow têm que implementar o Programa Olho Vivo na Estrada. Este projeto visa à identificação e correção de comportamentos inseguros durante o transporte, reduzindo assim o número de acidentes.
Na Dow, além da preocupação com a qualidade do transporte de suas cargas, o que chama a atenção, segundo Araújo, é o roubo de mercadorias. “A empresa também tem uma série de ações específicas visando à minimização de riscos”, diz. No entanto, por questões estratégicas, ela não fornece mais detalhes sobre este tema.
A sustentabilidade também é um conceito fundamental. “Para a Dow, desenvolver produtos sustentáveis vai além de estabelecer um compromisso com o meio ambiente, a comunidade, os clientes, parceiros e consumidores — é uma importante oportunidade de negócios”, informa Araújo.

Perfil
A Dow é uma indústria química diversificada, que alia a força da ciência e da tecnologia ao “Elemento Humano” para aperfeiçoar constantemente aspectos essenciais ao progresso humano. Oferece variedade de produtos e serviços para clientes em cerca de 160 países, associando a química e a inovação aos princípios
de sustentabilidade, ajudando-os a obter o que é imprescindível para a sua vida:
de água potável, alimentos e produtos farmacêuticos a tintas, embalagens e itens
de higiene pessoal.
Em 2008, empregou cerca de 46 000 pessoas em todo o mundo e as suas vendas anuais atingiram US$ 57,4 bilhões. Com 150 unidades fabris em 35 países e um leque de cerca de 3 300 produtos, a Dow adquiriu, em 1º de abril de 2009, a Rohm and Haas, uma companhia global de especialidades químicas com vendas anuais de US$ 10 bilhões em 2008, 98 unidades fabris em 30 países e cerca de 15 000 funcionários pelo mundo.
No Brasil, a Bridgestone, que emprega cerca de 3 300 funcionários diretos, mantém, além de um centro técnico em Santo André, SP, três fábricas: as duas de Santo André produzem pneus de carga e molas pneumáticas e a de Camaçari, BA, manufatura diariamente oito mil pneus de aros 15, 16 e 17 para automóveis. Em São Pedro, no interior de São Paulo, mantém o seu Campo de Provas, em parceira com a Fórmula Truck. O seu faturamento no país atingiu US$ 1 bilhão em 2008. Mundialmente, a fabricante japonesa emprega 134 mil funcionários e tem operações em 26 países, com 190 fábricas, sendo 48 só de pneus e 142 de produtos diversos, como autopeças
e semicondutores. Os pneus representam 80% de todo o negócio da companhia no mundo.

Fonte: site Transporte Mundial